sexta-feira, 10 de maio de 2019

VEREDA TROPICAL - NOVELA 1984


Vereda Tropical, telenovela brasileira, produzida e exibida pela Rede Globo, no horário das 19 horas, entre 23 de julho de 1984 e 1 de fevereiro de 1985, em 167 capítulos, substituindo Transas e Caretas  Foi a 33ª "novela das sete" exibida pela emissora, que continua o legado do horário com tramas leves e de comédia! Explorava desencontros amorosos, conflitos de classe e disputas por poder dentro de uma família. Escrita por Carlos Lombardi, com argumento, supervisão de texto e colaboração de Silvio de Abreu e direção de Jorge Fernando e Guel Arraes.

A história era bem divertida, que começa com a operária Silvana (Lucélia Santos) é abandonada grávida pelo namorado, que morreu logo. Fugindo do cerco do sogro Vicente (Walmor Chagas) que queria a posse do neto, Silvana vai morar na Vila do Prazeres. Na vila ela conhece a família da viúva Bina (Geórgia Gomide), proprietária da cantina italiana La Tavola de Michele. Silvana passa então a ser cortejada pelos dois filhos mais velhos de Bina: o romântico e tímido Marco (Paulo Betti), e Luca (Mário Gomes), um talentoso centroavante que procura emprego por diversos times de São Paulo. Depois de muitas reviravoltas, é Luca que conquista o coração de Silvana, e se torna amigo do filho dela, Zeca (Jonas Torres), filho de Silvana. Com passar do tempo, o romance de Silvana e Luca fica tumultuado, por causa do gênio esquentado dos dois e pela presença de Verônica (Maria Zilda), que joga todo seu charme sobre Luca. Mas, a complicação maior é por parte de Vicente, o pai de Verônica  que arma uma verdadeira guerra pela posse do seu neto, Zeca.

No último capítulo, o jogador Luca (Mário Gomes), descoberto pelo Corinthians, estreia no lotado estádio do Morumbi, em São Paulo. A gravação foi um acontecimento memorável: o personagem chegou de helicóptero ao gramado antes do jogo em que o Corinthians enfrentava o Vasco da Gama. Quando o centroavante Serginho marcou o seu segundo gol, o ator Mário Gomes invadiu o campo vestindo o uniforme do clube e comemorou abraçando o atacante. O juiz da partida, José Assis de Aragão, diante do fato inesperado, teve um momento de indecisão, mas expulsou o ator do gramado. O caso irritou os dirigentes da Confederação Brasileira dos Árbitros (Cobraf), que suspeitaram que o juiz tinha favorecido a entrada do ator. A Rede Globo inocentou Aragão, declarando que tudo havia sido improvisado. O  gol de Luca teve a narração de Osmar Santos. O jogo terminou empatado em 2X2 e os 40 mil torcedores protestaram contra o mau desempenho de seus jogadores pedindo a entrada em campo de Mário Gomes, gritando “Luca! Luca! Luca!”.

Uns dos destaques da novela era o personagem Téo (Marcos Frota) que era gago, tímido, medroso e com uma imaginação fértil. Téo tenta a todo custo se aproximar da mãe, Catarina (Marieta Severo), e do avô, Oliva (Walmor Chagas), mas não é bem recebido por nenhum dos dois. Além disso, não sabe como se aproximar das mulheres, nem fazer amigos. Solitário, vive em um mundo paralelo, onde volta e meia imagina ser um super-herói: o Super-Téo, uma paródia do Superman. Aos poucos, o rapaz se aproxima de Gabi (Cristina Pereira). No final da história, consegue conquistar seu amor. Alias, a novela trazia várias paródias de filmes famosos, como Indiana Jones!

Uma curiosidade: um perfume com o nome da novela foi lançado no mercado, fazendo sucesso com o público feminino. Assita agora o primeiro capitulo da  novela:



VEREDA TROPICAL
Autoria: Carlos Lombardi
Supervisão de texto: Silvio de Abreu
Direção: Jorge Fernando e Guel Arraes
Período de exibição: 23/07/1984 – 01/02/1985
Horário: 19h
Nº de capítulos: 184

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

BALANÇA..BALANÇA..MAS NÃO CAI - 1968

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O ELENCO (CONDÔMINOS)

Começou no rádio no Rio de Janeiro na década de 1950, sendo um programa humorístico criado por Max Nunes e Paulo Gracindo. Ele apresentava os quadros humorísticos, supostamente passados nos apartamentos de um edifício residencial fictício, onde moravam as personagens, onde tudo pode ocorrer! Em 1968 migrou para a TV Globo, dirigido por Lúcio Mauro e era transmitido ao vivo, servindo de inspiração para vários programas de humor da TV copiados até hoje. Dentre seus "condôminos" estavam o saudoso Costinha, Colê, Lilico, Castrinho, José Santa Cruz, Berta Loran, Marina Miranda, Tutuca e outros tantos.

O formato da TV era igual ao da rádio e logo se tornou um sucesso de audiência e seus bordões eram repetidos em todas as rodas de conversa. Sucesso absoluto! Max Nunes afirmou que usou como fonte de inspiração as chamadas “cabeças de porco”, moradias ocupadas por famílias numerosas onde todo mundo se espremia para viver no Rio de Janeiro da década de 50, após a Segunda Guerra Mundial. Com o sucesso do programa, Balança Mas Não Cai virou o apelido de um edifício – igualmente superpopuloso – na esquina da Rua Santana com a Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio.

Vamos aos personagens clássicos do programa que serviu (ou simplesmente copiado até) de inspiração para outros humoristas!

PRIMO POBRE, PRIMO RICO

O Primo Pobre (Brandão Filho) sempre visitava seu Primo Rico (Paulo Gracindo) na esperança de descolar um trocado ou um pouquinho de comida, mas sempre sai com as mãos vazias com as tiradas sarcásticas de seu Primo trilhardário de rico! O bordão exclamado pelo Primos era: Primo, você é ótimo!" A dupla ainda era acompanhada pelo mordomo Charles que exclamava aos gritos um YES SIR sempre que era chamado pelo patrão, assustando o Primo Pobre! O mordomo foi interpretado por Arnaldo Artilheiro e depois por Tony Tornado  nos anos 80! Uma curiosidade: o famoso "Ricardão", que significa "amante de mulher casada" foi criado neste quadro de humor, onde o Primo Rico sempre dizia que sua esposa estava fazendo compras com um rapaz! Homem civilizado e pouco afeito às pequenezas do espírito, o milionário parecia não perceber que estava sendo enganado e tinha até afeição pelo rapaz, a quem chamava de “Ricardão”



FERNANDO E OFÉLIA

 No início era vivido por Lúcio Mauro e Sônia Mamede, que formava um casal onde recebia em sua casa celebridades como visitas. As visitas ficavam estarrecidas com as gafes cometidas pela Ofélia, sempre em decorrência de pronúncias erradas! Ofélia não se dava conta de sua ignorância e soltava seu bordão: "Eu só abro a boca quando eu tenho certeza!" Em 1999, Lúcio Mauro volta a encarnar Fernandinho no Zorra Total desta vez ao lado da atriz Claudia Rodrigues! 


BELEZA

Um cara que apesar de feio, vesgo e sem dentes e se achava irresistível! Mas mesmo assim, fazia sucesso com as mulheres! Foi interpretado por Carlos Leite!



CLEMENTINO E DONA JULIETA

Clementino (Tutuca), o faxineiro ingênuo que não percebia a paixão que provocava na secretária do escritório onde trabalhava – “Como é boa essa secretária! Ah, se ela me desse bola!” era o seu bordão. A secretária foi interpretado por várias atrizes!



Depois da TV Globo em 1968,  Balança Mas Não Cai passou a ser exibido na TV Tupi em 1972 e só voltou à grade de programação da TV Globo dez anos depois, nas tardes de domingo. A equipe era a mesma, e a produção, de José Carlos Santos. Paulo Silvino, que já havia substituído Augusto César Vannucci em alguns programas da primeira fase, era o apresentador. No ano seguinte, contudo, o programa foi cancelado! Marcou época e deixou saudades!


terça-feira, 14 de novembro de 2017

REVOLUÇÃO RUSSA - 1917


Neste ano de 2017, A REVOLUÇÃO RUSSA, completa exatos 100 anos, sendo exatamente no dia 25 de outubro de 1917, começava a insurreição soviética. A construção do Estado soviético pelos membros do partido bolchevique resultou em uma mudança das formas de desenvolvimento econômico não só para a Rússia, mas para o mundo como um todo.

Diferente da sociedade Ocidental que tinha como base a indústria dentro da propriedade privada baseada nas ações da burguesia, a sociedade russa tinha como centro de seus alicerces o próprio Estado. Desta forma, o Estado soviético passou a ser o detentor da propriedade dos meios de produção, formando uma ditadura diferente de qualquer outro lugar no mundo, onde os membros do partido bolchevique e administradores das empresas controlavam tudo.

Mas por que ocorreu A REVOLUÇÃO RUSSA?

O objetivo era tirar do poder o Czar Nicolau II e tentar estabelecer uma república popular, de cunho liberal. Antes, a população sofria muito, pois tudo era concentrado nos centros urbanos, onde os trabalhadores era submetidos entre 12 e 16 horas de trabalho diário. Além disso, recebiam pouca alimentação, adquiriram muitas doenças, trabalhando em locais imundos sem nenhuma condição de higiene. Esta situação fez crescer as ideias socialistas. Então, o Czar abdicou de seu trono a força, dando o poder a um governo provisório, que tinha no comando o príncipe Georgy Lvov. Mas o governo provisório não agradou a população. Na madrugada do dia 25 de outubro os bolcheviques, que tinha como líder Lênin, Zinoviev e Radeck, seguidos por socialistas revolucionários e elementos anarquistas, seguiram até a sede do Governo Provisório e o invadiram. Se instalava o Socialismo!

CONSEQUÊNCIAS

Os Bolcheviques impuseram o governo socialista soviético. Ao assumir, Lênin retirou o país da Primeira Guerra Mundial, e criou o Partido Comunista.  Ele também implantou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS, que tornou-se uma das maiores potências econômicas e militares do globo, até sua queda no fim dos anos 80! A democracia que foi prometida durante a revolução não ocorreu pois o Partido Comunista reprimia toda e qualquer manifestação que era considerada contra os princípios socialistas. O regime durou quase 70 anos!


                                  




terça-feira, 3 de outubro de 2017

CAPITÃO FURACÃO E SEUS GRUMETES - PROGRAMA DE TV (1965)



Em 1965, nos primórdios da Rede Globo, em suas tardes a partir das 17hs, quando as crianças voltavam da escola, o Capitão Furacão entrava navegando pela TV. Ao vivo, durante duas horas (naquela época não tinha novela das 6 ou 7), ele levantava as âncoras assumia o leme da programação infantil do canal! Sua vestimenta era mesmo de um capitão de navio, com quepe na cabeça, mãos no leme, jaqueta azul e longa barba branca. 

Cada programa era uma viagem embalada com histórias de marujos, acompanhada de conselhos aos novos marinheiros com desenhos animados e filmes curtos. A garotada que quisesse fazer parte da tripulação recebia uma carterinha de grumete. Para isso, bastava enviar para a produção do programa uma foto e o rótulo do produto de um dos patrocinadores que era a Confeitaria Gerbô ou as calças Furacão. Em um mês, mais de 3 mil grumetes cadastrados embarcaram no programa todas as tardes. 

O Capitão era interpretado pelo ator Pietro Mário que diz que se inspirou em um programa dos Estados Unidos chamado Capitain Canguru . O personagem seria, segundo Pietro, um velho lobo do mar aposentado que hoje gostaria de contar suas antigas aventuras às crianças. No segundo ano de viagem, o programa ganhou um imediato, a atriz Elizâmgela, que até hoje trabalha nas novelas. Ela era que auxiliava o capitão, como por exemplo encarregada de prestar homenagem aos aniversariantes do dia. 

O programa era líder de audiência no Rio de Janeiro, tanto é que ele tinha até uma assessoria da própria Marinha do Brasil, promovendo passeios com as crianças na baia de Guanabara e até mesmo visitas a um submarino de verdade. Além disto, tudo ainda incentivava as crianças a estudarem, e serem bons cidadãos, coisa que sumiram dos programas infantis atuais. Infelizmente, o programa saiu do ar em meados de 1970, quando foi superado em audiência pelo Clube do Capitão AZA, apresentado pelo já falecido Wilson Viana na extinta TV Tupi. 

Trecho do especial da TVE "Um Olhar Infantil" no início dos anos 90. Pietro Mario e Elisângela falam do programa Capitão Furacão.








domingo, 4 de junho de 2017

CANTANDO NA CHUVA - FILME (1952)


Nunca fui fã de musical, o gênero que explodiu nos anos 40 e 50, mas este filme em sua simplicidade conseguiu tornar os musicais em um fenômeno inesquecível do cinema! CANTANDO NA CHUVA de 1952, tornou um clássico! Interessante é que o filme em sua estreia não fez um grande sucesso, somente anos depois veio seu reconhecimento!

O filme é uma comédia musical, com piadas bem sutis mas engraçadas, com uma excelente trilha sonora e suas cenas de dança excepcionais. A sua trama também é interessante, pois conta a transição do cinema mudo para o cinema falado, e os atores tentando se adaptar a esta nova tecnologia, o que de tempos em tempos acontece na vida de qualquer um de nós! Como você acha que foi a transição da maquina de escrever para o computador? Mas vamos detalhar a história....

Um astro do cinema mudo, Don Lockwood (Gene Kelly) e sua parceira de filmes Lina Lamont (Jean Hagen), formam o casal das estrelas. Os dois são os maiores sucessos do cinema, onde não se usava o som ainda. Então chega o cinema com som, e os dois tem que se adaptar, ou seja começam a realizar filmes falados! Vários problemas surgem a partir daí, como por exemplo a dificuldade dos técnicos e sincronizar o som das falas dos personagens com as imagens da telas. O primeiro filme falado da dupla de astros, em uma Premiere é vaiado e ridicularizado pelos expectadores. Fadado ao fracasso, o amigo de Don, Cosmo (Donald O’Connor), tem a ideia de tornar o filme musical o que salvaria a reputação de Don como astro de cinema. Mas ai, sua parceira, Lina Lamont tem uma voz horrível, bem irritante o que impede dela cantar no filme. Solução? Usar uma dubladora para Lina. A dubladora é a atriz e dançarina Kathy Selden (Debbie Reynolds - a mãe de Carrie Fisher, a atriz que interpretou a Princesa Leia na saga Guerra nas Estrelas). Kathy tem uma excelente voz e sua nova estreia o filme é um sucesso. No final a chata Lina Lamont é desmascarada e o casal Don e Kathy vivem felizes para sempre. Aliás, a paixão de Don por Kathy é que a prenuncia para o ato de dança de Don que dar origem ao nome do filme e se tornou umas das cenas mais célebres e lembradas da história do cinema, quando o personagem de Kelly, Don, canta o música tema sobre uma chuva! A cena virou lenda! Veja abaixo:



O trio principal dos protagonistas eram Don Lockwood (Gene Kelly), Kathy Selden (Debbie Reynolds) e Cosmo (Donald O’Connor). Donald O’Connor está sensacional em seus números de dança, inclusive os solos. Suas performances tem a genialidade da dança e humor embutido. Donald ganhou o Globo de Ouro de Melhor ator Coadjuvante, totalmente merecido. Na minha opinião, as cenas de Donald são as melhores do filme. Em outra cena célebre do filme, os três dançam e cantam a música "Good Morning" onde reviram a mobília da casa. Reynolds não estava acostumado a dançar naquele ritmo e seus pés sangraram durante a atuação da cena. Veja ai...



Outra cena hilária é quando Don e Lina estão atuando em seu último filme mudo, e estão discutindo devido a um incidente na noite anterior envolvendo Kathy. A cena é engraçada por como no filme, seus personagens estão apaixonados, suas expressões são de amor, ternura e carinho, mas na realidade estão discutindo. Como a cena não tem som e nem falas, apenas imagem, fica muito engraçada! Outras cenas hilarias: início de carreira de Don e Cosmo; aula de dicção de Don e Cosmo.

Em uma época em que cinema ainda é muito mas teatral do que visual, o filme prima pela arte da dança em uma homenagem ao próprio cinema. E algumas curiosidades:


  • As músicas foram criadas antes do roteiro, com as músicas prontas, os roteiristas tiveram que montar uma história que “casasse” com as músicas que já haviam sido escritas.
  • A chuva que aparece no filme era uma mistura de água e leite, para que as gotas dessem “volume” e se destacassem durante a cena.
  • No roteiro original a famosa cena de Gene Kelly cantarolando na chuva não existia, após alguns ajustes ela foi incluída e tornou-se uma das cenas mais célebres de toda a história do cinema. 
  • Gene Kelly e Debbie Reynolds, não se deram muito bem durante as gravações, Gene chegou a maltratá-la pelo fato de Debbie não ser uma dançarina profissional, mas há males que vem para o bem: Fred Astaire acabou dando uma ajuda para Debbie. Anos depois a atriz disse que sobreviver a esse filme e dar a luz foram as coisas mais difíceis que ela fez na vida.
Gene Kelly co-dirigiu o filme com Stanley Donen, que mostra que além de ator, cantor e dançarino manda muito bem na direção, misturando na dose certa humor, romance, drama e música! Assista e esqueça La La Land...




quarta-feira, 24 de maio de 2017

SECOS & MOLHADOS (ÁLBUM - 1973)



A primeira banda de rock, como se fosse um grupo vocal? E isso existe? Secos & Molhados da década de 70 no Brasil se apresentava com figurinos e maquiagem extravagantes, até mesmo no rosto. O que gera uma especulação se a banda de rock americana Kiss copiou a ideia das mascaras pintadas no rosto da banda brasileira. Será? A formação clássica tínhamos João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão). E foi João que criou o nome da banda sozinho em 1970.

O som do grupo mistura MPB, danças, glam rock, folk, rock progressivo poesias e canções do folclore português, como em o "O Vira", aliados à críticas sobre a Ditadura Militar, tudo isso como base em um som de  rock pesado, até então inédito no Brasil! O som da banda fez a transição da bossa nova à Tropicália e depois o rock brasileiro, que estourou nos anos 80. um estilo que só floresceu expressivamente nos anos 80. O primeiro álbum, simplesmente chamado de SECOS & MOLHADOS é um clássico de toda a discografia brasileira, a começar pela capa (crítica a Ditadura Militar), onde o Titãs já homenagearam no vídeo Eu Não Aguento de 1995!

Secos & Molhados em show no Gigantinho em 1973

O álbum de estreia foi lançado em 1973, com temas poéticos, liberdade de expressão, o racismo e as guerras. O disco vendeu mais de 1 milhão de cópias pelo país, um sucesso enorme! Também pudera, aqui nesta obra encontramos a quantidade de maiores clássicos da banda como "Sangue Latino", o já citado "O Vira", e "Rosa de Hiroshima", aqui fazem menção ao poeta Vinícius de Moraes. Como críticas a ditadura militar estava nas canções "Primavera nos Dentes", "O Patrão Nosso de Cada Dia" (aqui o capitalismo está na batuta) e o rock progressivo "Assim Assado" que remete a um blues a la Jimmy Hendrix com uma pegada latina, como em "Mulher Barriguda", que lembra os clássicos de Chuck Berry e Jerry Lee Lewis. Já "Amor" nos brinda com um baixo poderoso e "Prece Cósmica" apresentava uma inquietação sonora. O disco finaliza com "Fala" com toda a ponta de rock progressivo e blues. E as letras? Pura poesia de bar e de luxo ao mesmo tempo! Tudo isso pode parecer, aqui na leitura uma bagunça sonora, mas o som é genial que floresce nos ouvidos do público, com o uso de flauta em várias canções.

O total do álbum tem apenas 31 minutos de canções, que apesar de pouco tempo tem uma riqueza musical, poética e sonora exuberante, onde pode até se ver formas e cores (olha aí os anos 70)! A complexidade dos arranjos, os timbres multicoloridos e a liberdade criativa criaram uma obra de arte. Hoje o grupo ainda existe, apenas com João Ricardo da formação clássica e o talentoso Ney Matogrosso segue em sua carreira de solo de sucesso até os dias de hoje! A fase do auge se foi, mas a marca da banda foi fincada para sempre na música brasileira! Ouça o disco todo e se deleite:









terça-feira, 16 de maio de 2017

TELECATCH - PROGRAMA DE TV (ANOS 60/7O)



Fortes, golpes espetaculares, fantasias espalhafatosas, encenação teatral, combate, circo, pancadarias coreografadas e muitos banhos e litros de sangue/groselha. Esta era a receita de uma boa luta: o famoso Telecatch, que nos anos 60 alcançou grande sucesso, criando vários heróis! As lutas foram criadas na extinta TV Excelsior do Rio de Janeiro, Canal 2, depois a TV Excelsior exibiu entre osanos de 1965 a 1966. Depois passou a ser chamado de Telecatch Montilla (TV Globo - 1967 a 1969), devido ao famoso Rum e depois chamado de Os Reis do Ringue, na TV Record, já nos anos 70.

Quando o programa estreou nos anos 60, os telespectadores realmente acreditavam que as lutas eram mesmo para valer, e o sangue de groselha era real! Existia até torcida para as figuras fantasiadas, sempre esperando que o mocinho vencesse o vilão! Sim, aqui tínhamos a famosa luta do bem contra o mal! O programa se encarregava de criar os mocinhos  e os vilões! Uns dos mocinho mais famosos era Ted Boy Marino, cujo nome verdadeiro era do italiano Mario Marino. Sua carreira começou na Argentina, em lutas sérias, mas depois foi convidado para participar do pastelão brasileiro. Aqui no Brasil, foi admirado por muitos e cobiçado pelas mulheres, virou galã! Seus grandes inimigos no ringue de araque eram Mongol e Aquiles. Ted Boy Marino, depois participou do programa "Os Adoráveis Trapalhões", o embrião dos Os Trapalhões, onde também estavam os cantores Wanderley Cardoso e Ivon Cury, e de Renato Aragão (Didi). Depois na Globo, Ted participou de vários programas, além do Telecatch, e já nos anos 80, Marino atuou como coadjuvante no programa Os Trapalhões, onde hoje é mais lembrado e quase sempre fazia o papel de vilão. Mas o grande herói do Telecatch brasileiro  faleceu no dia 27 de setembro de 2012, aos 72 anos de idade, vítima de uma parada cardíaca enquanto lhe era realizada uma cirurgia de emergência.

Ted Boy Marino

E os vilões? Não raramente, os vilões usavam de artifícios pouco honestos e os "juízes" pareciam fazer "vista grossa". Verdugo, uns dos maiores vilões do programa, sempre esfregava limão nos olhos do herói Ted Boy Marino. O Verdugo, cuja sua fantasia era parecida com o mestre dos sacrilégios, Mister M. A identidade de Verdugo jamais foi revelada, mesmo depois do programa ser extinto. Boatos afirmavam que por debaixo da máscara era o pacato Wilson Rosaline, que depois de se aposentar virou Papai Noel. Sua morte foi trágica, onde foi baleado em uma discussão. Em uma outra teoria da conspiração, diziam que vários atores vestiram a roupa do vilão, como um código total de silêncio, os lutadores nunca revelaram quem foi Verdugo. 

Verdugo em ação

Quase sempre, Ted Boy Marino começava apanhando! E muito! Nosso herói levava uma surra monumental e Ted só era salvo pelo gongo. Na confusão sobrava até para os juízes!  No segundo round, Ted Boy Marino voltava ao ringue revitalizado e com enorme sede de vingança, mas sempre com ar de moço bom. Ted aplicava o super golpe de voadora com os pés, depois de apelidado "tacle", e vencia  a luta. Outros golpes eram:

  • Tesoura Voadora: Saltava-se sobre o inimigo e com as pernas ainda no ar agarrava o pescoço para delírio do publico! 
  • Soco Inglês: Não era um golpe, mas uma empunhadura de ferro que fazia jorrar o sangue de groselha dos mocinhos. 
  • Rosca de Perna: Com o inimigo ainda no chão, torcia sua perna.
  • Caipirinha Humana: O já citado esfregar limão nos olhos! Crueldade pura!
  • Sufocamento: sufocava-se o adversário com as cordas do ringue! Podia-se usar uma variável, toalhas!


Esqueça os tais de MMA atuais, o sangue/suco de groselha era bem mais divertido!