domingo, 4 de junho de 2017

CANTANDO NA CHUVA - FILME (1952)


Nunca fui fã de musical, o gênero que explodiu nos anos 40 e 50, mas este filme em sua simplicidade conseguiu tornar os musicais em um fenômeno inesquecível do cinema! CANTANDO NA CHUVA de 1952, tornou um clássico! Interessante é que o filme em sua estreia não fez um grande sucesso, somente anos depois veio seu reconhecimento!

O filme é uma comédia musical, com piadas bem sutis mas engraçadas, com uma excelente trilha sonora e suas cenas de dança excepcionais. A sua trama também é interessante, pois conta a transição do cinema mudo para o cinema falado, e os atores tentando se adaptar a esta nova tecnologia, o que de tempos em tempos acontece na vida de qualquer um de nós! Como você acha que foi a transição da maquina de escrever para o computador? Mas vamos detalhar a história....

Um astro do cinema mudo, Don Lockwood (Gene Kelly) e sua parceira de filmes Lina Lamont (Jean Hagen), formam o casal das estrelas. Os dois são os maiores sucessos do cinema, onde não se usava o som ainda. Então chega o cinema com som, e os dois tem que se adaptar, ou seja começam a realizar filmes falados! Vários problemas surgem a partir daí, como por exemplo a dificuldade dos técnicos e sincronizar o som das falas dos personagens com as imagens da telas. O primeiro filme falado da dupla de astros, em uma Premiere é vaiado e ridicularizado pelos expectadores. Fadado ao fracasso, o amigo de Don, Cosmo (Donald O’Connor), tem a ideia de tornar o filme musical o que salvaria a reputação de Don como astro de cinema. Mas ai, sua parceira, Lina Lamont tem uma voz horrível, bem irritante o que impede dela cantar no filme. Solução? Usar uma dubladora para Lina. A dubladora é a atriz e dançarina Kathy Selden (Debbie Reynolds - a mãe de Carrie Fisher, a atriz que interpretou a Princesa Leia na saga Guerra nas Estrelas). Kathy tem uma excelente voz e sua nova estreia o filme é um sucesso. No final a chata Lina Lamont é desmascarada e o casal Don e Kathy vivem felizes para sempre. Aliás, a paixão de Don por Kathy é que a prenuncia para o ato de dança de Don que dar origem ao nome do filme e se tornou umas das cenas mais célebres e lembradas da história do cinema, quando o personagem de Kelly, Don, canta o música tema sobre uma chuva! A cena virou lenda! Veja abaixo:



O trio principal dos protagonistas eram Don Lockwood (Gene Kelly), Kathy Selden (Debbie Reynolds) e Cosmo (Donald O’Connor). Donald O’Connor está sensacional em seus números de dança, inclusive os solos. Suas performances tem a genialidade da dança e humor embutido. Donald ganhou o Globo de Ouro de Melhor ator Coadjuvante, totalmente merecido. Na minha opinião, as cenas de Donald são as melhores do filme. Em outra cena célebre do filme, os três dançam e cantam a música "Good Morning" onde reviram a mobília da casa. Reynolds não estava acostumado a dançar naquele ritmo e seus pés sangraram durante a atuação da cena. Veja ai...



Outra cena hilária é quando Don e Lina estão atuando em seu último filme mudo, e estão discutindo devido a um incidente na noite anterior envolvendo Kathy. A cena é engraçada por como no filme, seus personagens estão apaixonados, suas expressões são de amor, ternura e carinho, mas na realidade estão discutindo. Como a cena não tem som e nem falas, apenas imagem, fica muito engraçada! Outras cenas hilarias: início de carreira de Don e Cosmo; aula de dicção de Don e Cosmo.

Em uma época em que cinema ainda é muito mas teatral do que visual, o filme prima pela arte da dança em uma homenagem ao próprio cinema. E algumas curiosidades:


  • As músicas foram criadas antes do roteiro, com as músicas prontas, os roteiristas tiveram que montar uma história que “casasse” com as músicas que já haviam sido escritas.
  • A chuva que aparece no filme era uma mistura de água e leite, para que as gotas dessem “volume” e se destacassem durante a cena.
  • No roteiro original a famosa cena de Gene Kelly cantarolando na chuva não existia, após alguns ajustes ela foi incluída e tornou-se uma das cenas mais célebres de toda a história do cinema. 
  • Gene Kelly e Debbie Reynolds, não se deram muito bem durante as gravações, Gene chegou a maltratá-la pelo fato de Debbie não ser uma dançarina profissional, mas há males que vem para o bem: Fred Astaire acabou dando uma ajuda para Debbie. Anos depois a atriz disse que sobreviver a esse filme e dar a luz foram as coisas mais difíceis que ela fez na vida.
Gene Kelly co-dirigiu o filme com Stanley Donen, que mostra que além de ator, cantor e dançarino manda muito bem na direção, misturando na dose certa humor, romance, drama e música! Assista e esqueça La La Land...




quarta-feira, 24 de maio de 2017

SECOS & MOLHADOS (ÁLBUM - 1973)



A primeira banda de rock, como se fosse um grupo vocal? E isso existe? Secos & Molhados da década de 70 no Brasil se apresentava com figurinos e maquiagem extravagantes, até mesmo no rosto. O que gera uma especulação se a banda de rock americana Kiss copiou a ideia das mascaras pintadas no rosto da banda brasileira. Será? A formação clássica tínhamos João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão). E foi João que criou o nome da banda sozinho em 1970.

O som do grupo mistura MPB, danças, glam rock, folk, rock progressivo poesias e canções do folclore português, como em o "O Vira", aliados à críticas sobre a Ditadura Militar, tudo isso como base em um som de  rock pesado, até então inédito no Brasil! O som da banda fez a transição da bossa nova à Tropicália e depois o rock brasileiro, que estourou nos anos 80. um estilo que só floresceu expressivamente nos anos 80. O primeiro álbum, simplesmente chamado de SECOS & MOLHADOS é um clássico de toda a discografia brasileira, a começar pela capa (crítica a Ditadura Militar), onde o Titãs já homenagearam no vídeo Eu Não Aguento de 1995!

Secos & Molhados em show no Gigantinho em 1973

O álbum de estreia foi lançado em 1973, com temas poéticos, liberdade de expressão, o racismo e as guerras. O disco vendeu mais de 1 milhão de cópias pelo país, um sucesso enorme! Também pudera, aqui nesta obra encontramos a quantidade de maiores clássicos da banda como "Sangue Latino", o já citado "O Vira", e "Rosa de Hiroshima", aqui fazem menção ao poeta Vinícius de Moraes. Como críticas a ditadura militar estava nas canções "Primavera nos Dentes", "O Patrão Nosso de Cada Dia" (aqui o capitalismo está na batuta) e o rock progressivo "Assim Assado" que remete a um blues a la Jimmy Hendrix com uma pegada latina, como em "Mulher Barriguda", que lembra os clássicos de Chuck Berry e Jerry Lee Lewis. Já "Amor" nos brinda com um baixo poderoso e "Prece Cósmica" apresentava uma inquietação sonora. O disco finaliza com "Fala" com toda a ponta de rock progressivo e blues. E as letras? Pura poesia de bar e de luxo ao mesmo tempo! Tudo isso pode parecer, aqui na leitura uma bagunça sonora, mas o som é genial que floresce nos ouvidos do público, com o uso de flauta em várias canções.

O total do álbum tem apenas 31 minutos de canções, que apesar de pouco tempo tem uma riqueza musical, poética e sonora exuberante, onde pode até se ver formas e cores (olha aí os anos 70)! A complexidade dos arranjos, os timbres multicoloridos e a liberdade criativa criaram uma obra de arte. Hoje o grupo ainda existe, apenas com João Ricardo da formação clássica e o talentoso Ney Matogrosso segue em sua carreira de solo de sucesso até os dias de hoje! A fase do auge se foi, mas a marca da banda foi fincada para sempre na música brasileira! Ouça o disco todo e se deleite:









terça-feira, 16 de maio de 2017

TELECATCH - PROGRAMA DE TV (ANOS 60/7O)



Fortes, golpes espetaculares, fantasias espalhafatosas, encenação teatral, combate, circo, pancadarias coreografadas e muitos banhos e litros de sangue/groselha. Esta era a receita de uma boa luta: o famoso Telecatch, que nos anos 60 alcançou grande sucesso, criando vários heróis! As lutas foram criadas na extinta TV Excelsior do Rio de Janeiro, Canal 2, depois a TV Excelsior exibiu entre osanos de 1965 a 1966. Depois passou a ser chamado de Telecatch Montilla (TV Globo - 1967 a 1969), devido ao famoso Rum e depois chamado de Os Reis do Ringue, na TV Record, já nos anos 70.

Quando o programa estreou nos anos 60, os telespectadores realmente acreditavam que as lutas eram mesmo para valer, e o sangue de groselha era real! Existia até torcida para as figuras fantasiadas, sempre esperando que o mocinho vencesse o vilão! Sim, aqui tínhamos a famosa luta do bem contra o mal! O programa se encarregava de criar os mocinhos  e os vilões! Uns dos mocinho mais famosos era Ted Boy Marino, cujo nome verdadeiro era do italiano Mario Marino. Sua carreira começou na Argentina, em lutas sérias, mas depois foi convidado para participar do pastelão brasileiro. Aqui no Brasil, foi admirado por muitos e cobiçado pelas mulheres, virou galã! Seus grandes inimigos no ringue de araque eram Mongol e Aquiles. Ted Boy Marino, depois participou do programa "Os Adoráveis Trapalhões", o embrião dos Os Trapalhões, onde também estavam os cantores Wanderley Cardoso e Ivon Cury, e de Renato Aragão (Didi). Depois na Globo, Ted participou de vários programas, além do Telecatch, e já nos anos 80, Marino atuou como coadjuvante no programa Os Trapalhões, onde hoje é mais lembrado e quase sempre fazia o papel de vilão. Mas o grande herói do Telecatch brasileiro  faleceu no dia 27 de setembro de 2012, aos 72 anos de idade, vítima de uma parada cardíaca enquanto lhe era realizada uma cirurgia de emergência.

Ted Boy Marino

E os vilões? Não raramente, os vilões usavam de artifícios pouco honestos e os "juízes" pareciam fazer "vista grossa". Verdugo, uns dos maiores vilões do programa, sempre esfregava limão nos olhos do herói Ted Boy Marino. O Verdugo, cuja sua fantasia era parecida com o mestre dos sacrilégios, Mister M. A identidade de Verdugo jamais foi revelada, mesmo depois do programa ser extinto. Boatos afirmavam que por debaixo da máscara era o pacato Wilson Rosaline, que depois de se aposentar virou Papai Noel. Sua morte foi trágica, onde foi baleado em uma discussão. Em uma outra teoria da conspiração, diziam que vários atores vestiram a roupa do vilão, como um código total de silêncio, os lutadores nunca revelaram quem foi Verdugo. 

Verdugo em ação

Quase sempre, Ted Boy Marino começava apanhando! E muito! Nosso herói levava uma surra monumental e Ted só era salvo pelo gongo. Na confusão sobrava até para os juízes!  No segundo round, Ted Boy Marino voltava ao ringue revitalizado e com enorme sede de vingança, mas sempre com ar de moço bom. Ted aplicava o super golpe de voadora com os pés, depois de apelidado "tacle", e vencia  a luta. Outros golpes eram:

  • Tesoura Voadora: Saltava-se sobre o inimigo e com as pernas ainda no ar agarrava o pescoço para delírio do publico! 
  • Soco Inglês: Não era um golpe, mas uma empunhadura de ferro que fazia jorrar o sangue de groselha dos mocinhos. 
  • Rosca de Perna: Com o inimigo ainda no chão, torcia sua perna.
  • Caipirinha Humana: O já citado esfregar limão nos olhos! Crueldade pura!
  • Sufocamento: sufocava-se o adversário com as cordas do ringue! Podia-se usar uma variável, toalhas!


Esqueça os tais de MMA atuais, o sangue/suco de groselha era bem mais divertido!







quinta-feira, 11 de maio de 2017

VALE TUDO - NOVELA 1988



"Quem matou Odete Roitman?" - Esta foi a pergunta que o Brasil inteiro fez naquele fim de ano de 1988! Quem havia assassinado a megera Odete Roitman, a maior vilã da teledamartugia brasileira, interpretada por Beatriz Segall? O mistério do assassino durou 13 dias, virando para o ano de 1989, mas repercutiu em todo o país! Quer saber que matou? Spoiler (??) no final deste post!

Vale Tudo é uma telenovela, produzida pela Rede Globo, exibida no horário das 20h, sendo a 39ª "novela das oito" exibida pela emissora. Apesar de escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, aqui existe uma forte inspiração de Janete Clair, mas sem o tradicional final feliz, tradicional em novelas brasileiras! A trama tinha como base: até que ponto valia ser honesto no Brasil. O cinismo dos personagens Maria de Fátima (Glória Pires) e César (Carlos Alberto Ricelli), sempre em busca do dinheiro fácil conquistou os telespectadores! Apesar dos seus quase trinta anos de exibição, ainda continua atual este tema! A corrupção e a desonestidade (o famoso jeitinho brasileiro), não mudou nada com o passar das décadas, ou séculos! 

A história conta a trajetória de Raquel Accioli (Regina Duarte), que parte atrás da filha, a famigerada Maria de Fátima, que vendeu a casa da família sem avisar a ninguém indo para o Rio de Janeiro em busca de ganhar a vida, da maneira mais fácil. No Rio, ela conhece César Ribeiro, um garoto de programa. Fátima consegue emprego de modelo e vai morar com Solange Duprat (Lídia Brondi), usando a amiga para se aproximar do rico e filho de Odete, Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), com a ajuda de César, para se casar com ele. Desprezada pela filha e humilhada por Odete, Raquel passa a ganhar a vida vendendo sanduíches na praia, de maneira honesta, vira dona de uma rede de restaurantes. O par romântico de Raquel é Ivan Meireles (Antônio Fagundes), porém durante a novela, por influência de Odete, ele acaba se casando com sua filha, a alcoólatra Heleninha Roitman (Renata Sorrah). O casal passa por vários perrengues, até ficarem juntos, mas o final de  Vale Tudo não foi convencional! O vilões da história se deram bem, não houve castigos, apesar da morte de Odete (spoiler no final!), como Marco Aurélio (Reginaldo Faria), braço direito de Odete, onde aplicou um golpe financeiro e fugiu do país cheio de mala de dinheiro, em um jatinho, totalmente impune. Na sua cena final, Marco Aurélio olha para câmera, encarando o telespectador, e com um sorriso cínico, deu uma banana para o Brasil! Olha a cena abaixo:


"Aqui para você!"


Paralelo a isso, outros temas polêmicos foram abordados:
  • A pintora Heleninha Roitman, luta contra o alcoolismo e conhece o amor com William (Dennis Carvalho), que a encaminha aos Alcoólicos Anônimos para livrar-se do vício. Na época, o nome da personagem virou referência para quem bebia demais! Alias, o alcoolismo de Heleninha é culpa da mãe, que a acusou injustamente da morte do irmão! Eita megera!
  • Bartolomeu (Cláudio Corrêa e Castro), pai de Ivan, fica desempregado, e tem dificuldade em arranjar emprego por não saber utilizar computador. Final e inicio de novos tempos!
  • A irmã de Marco Aurélio, Cecília (Lala Deheinzelin) tem um caso com outra mulher. Homossexualidade na TV! Mas devido a audiência conservadora da Globo, ela teve que ser morta.
  • Tiago (Fábio Villa Verde), o filho de Marco Aurélio, é tímido, virgem, não tem namorada e seu pai desconfia de que seja homossexual, pois ele fica ouvindo música clássica com seu amigo André (Marcello Novaes) no quarto. De novo a homossexualidade, mas aqui com tom de preconceito.
  • Para ter o apoio de Odete para se casar com Afonso, Fátima faz de tudo para separar a mãe Raquel de Ivan. Ela casa com Afonso, mas engravida de César e tenta, ainda grávida, ter um aborto. Fátima se joga de uma escada do Teatro Municipal para tentar matar o bebê! Depois de nascido, ela tenta vender o próprio filho. No final da novela, ela tem um casamento arranjado com um estrangeiro rico e gay, escondendo o verdadeiro amor do estrangeiro, César!

Mas voltando.... "Quem matou Odete Roitman?". Não pense que foi devido as suas maldades, e o motivo do assassinato foi por uma vingança! A morte de Odete foi puro azar da mesma de estar no local e hora errado. Seu assassino foi Leila (Cássia Kiss), mulher de Marco Aurélio, que atirou mortalmente em Odete pensando que era Maria de Fátima, já que Leila desconfiava que Fátima era amante do seu marido. E ela era mesmo! Colegas, ninguém segura uma mulher magoada! Leila, para não se incriminada, Leila foge do país com Marco Aurélio, onde protagonizou a cena da banana! Veja a cena do azar de Odete:


Vale Tudo marcou uma época, ainda da ressaca da ditadura militar, o Brasil pode ver como ele era, como dizia a canção de abertura de Cazuza cantada por Gal Costa - mostra tua cara - e o politicamente correto ainda não tinha virilizado nas novelas brasileiras como as atuais. Podemos ver e sentir que ser honesto no Brasil não era um bom negócio. A corrupção, sempre presente em nossas veias, foi escrachada de forma explicita sem pudor. Apesar do trocadilho, foi a ultima novela honesta da golpista Rede Globo!






segunda-feira, 8 de maio de 2017

BELCHIOR - ALUCINAÇÃO (ALBÚM - 1976)


Belchior, esse sim, um artista pra o povo cearense ter orgulho! E em sua carreira, gravou este clássico dos difíceis  anos 70: Alucinação! Este é o segundo álbum de estúdio do cantor e compositor, lançado em 1976 pela Polygram, hoje atual Universal Music. Nesta obra prima, encontramos grandes do cantor que marcaram toda a sua carreira, como "Apenas um Rapaz Latino-Americano", "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida". O álbum vendeu mais 30 mil cópias no período de um mês. Estima-se que o álbum chegou a mais de 500 mil cópias! Já em seu segundo trabalho, Belchior  chegou ao estrelato! Belchior disse: "Viver é mais importante que pensar sobre a vida. É uma forma de delírio absoluto, entende?" tentando explicar o título.

Belchior saiu de Sobral, no Ceará, em 1965, com sua voz rouca. Tinha influências dos Beatles e Bob Dylan, com toques da Tropicália e dos ritmos nordestinos e de sua terra natal. Participou do movimento Pessoal do Ceará, onde também seus conterrâneos, Fagner, Rodger e Ednardo, participaram. Em 1971, se mudou para o Rio de Janeiro, onde venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção "Na Hora do Almoço", e em seguida estreou como cantor em disco em um compacto. Depois, em São Paulo, trabalhou em trilhas sonoras para  filmes de curta metragem. E foi com o álbum Alucinação, considerado por vários críticos musicais como o mais revolucionário da história da MPB. Não é para pouco, não!!

No álbum, Belchior canta  para uma juventude que vivia na repressão da ditadura do regime militar. A rebeldia também estava presente. As letras são longas, como em "Apenas um Rapaz Latino-Americano", sendo uma quase biografia do cantor de como ele chegou a cidade grande, acentuado em “Fotografia 3×4″! Ainda em “Fotografia 3×4″, ouvimos as dificuldades dos nordestinos que chegam nas cidades do sul do país! Outras canções ainda falam da rebeldia dentro de uma terra de governo repressor, mas com um tom de esperança dentro de todas as dificuldades daquele período. “Velha Roupa Colorida” e “Como nossos pais” falam sobre isso! A canção título conta uma rotina e da solidão das pessoas na cidade grande! Em “À Palo Seco”, a mente desconcerta com a realidade, e em “Como o Diabo Gosta” somos convocados a lutar contra a conduta militar! Belchior fala da solidão e nos chamava para a guerra, mas de uma forma sutil! Grande álbum!! Mas essa é a minha opinião, ouça o álbum, se emocione e tire suas conclusões!



Infelizmente, Belchior faleceu em 30 de abril de 2017 de forma reclusa e isolada como algumas de suas canções! E como todo gênio que morre, sua obra foi redescoberta e valorizada! Depois que ele se foi, muitos perceberam a força de sua canções! Antes tarde do que nunca! Belchior para sempre! Um bom título para uma canção....




segunda-feira, 1 de maio de 2017

MERLIN - Brinquedo (1981)


Olhando a foto acima parece um celular de brinquedo, mas não é! O Merlin foi um brinquedo fabricado no Brasil pela Estrela, sob licença da empresa Parker Brothers. Tratava-se de um painel com botões vermelhos com o formato de um telefone sem fio, que era uma espécie de mini computador contendo seis jogos, cada contendo nove níveis de dificuldade. Pode se considera-lo o avô do Genius! Só que o Merlin era bem mais difícil de jogar! A molecada na época, quando enjoava dos jogos, brincava com ele como se fosse um telefone. E ainda consumia 6 pilhas pequenas!

Ele funcionava mais ou menos do mesmo jeito que o Genius, com várias combinações que precisavam ser seguidas pelo jogador. Apresentava seis jogos (sem contar brincar de telefone):

  • Jogo da velha
  • Máquina musical
  • Eco
  • Faça 13 (semelhante ao 21 e sete e meio)
  • Quadrado mágico: onde usar a lógica para montar o quadrado. Muita gente não tinha paciência apertava sem parar todos os botões até o Quadrado aparecer!
  • Código Secreto: o objetivo era descobrir um número com vários dígitos, a cada tentativa era informado quantos dígitos estavam corretos e nas posição corretas e quantos estavam corretos mas na posições incorretas.

O brinquedo não foi um grande sucesso de vendas, o que o fez se tornar um brinquedo bem raro hoje em dia e atingir preços mais altos do que o Genius entre os colecionadores.




domingo, 9 de abril de 2017

GULOSEIMAS - PARTE 02

Resultado de imagem para guloseimas anos 80


Já tirou aquele açúcar dos dentes desde a primeira postagem sobre as guloseimas dos anos 80? Pois para desespero dos dentistas vamos a segunda parte! A era das crianças imortais continua...

DIPN´LIK
Esse era delicioso e viciante! O pirulito vinha dentro de um saquinho com um pó colorido com os sabores uva, laranja e cereja. Você abria o saquinho, pegava o pirulito e o melava no pó! Depois era só levar até as pastilhas gustativas! Humm...Se comesse muito rápido a boca ficava manchada com o pó! Tinha moleque que apenas comia o pó! Na época surgiu um boato que essa guloseima dava câncer! Mas quem se importava...


PIROCÓPTERO
Este vinha com um brinquedo! O pirulito tinha com haste uma hélice de plástico, onde ele se encaixava. Para fazer voar era simples: bastava esfregar as mãos para o Pirocóptero voar! Mas antes, tinha que chupar o pirulito!



CHUCOLA
Este misturava drops e Coca-Cola. Aqui ou você gosta ou odeia! Mas o sabor era de Coca-Cola era real o imitação? Ninguém sabia ao certo! A embalagem tentava imitar o rotulo do refrigerante!


PASTILHAS GAROTO
Este existe até hoje, e com o mesmo sabor! Não mudou nada em décadas! Era retangular com sabor de menta, mas também podia ser encontrada nos formatos arredondadas e achatadas, num pacotinho cilíndrico, com outros sabores!


CHOCOLATE SURPRESA
Uns dos mais lembrados! Foi lançado em 1983, com um sabor de chocolate ao leite. Aqui, tínhamos um desenho em alto relevo de algum animal no próprio chocolate, além de vim com cartões coloridos para colecionar com a foto do animal e atrás as infirmações sobre ele! Sabor com conhecimento! Virou até álbum de figurinhas!  


Agora é marcar um consulta ao dentista...